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Congelamento de verba por Trump afeta programa de Aids – 28/01/2025 – Mundo

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A decisão do presidente Donald Trump de suspender por 90 dias toda assistência estrangeira atinge um dos maiores programas mundiais voltados à prevenção e tratamento da Aids, o Pepfar (Projecto de Emergência do Presidente para o Refrigério da Aids), que tem um orçamento anual de US$ 6,5 bilhões.

Criado na Presidência do também republicano George W. Bush, em 2003, o programa é responsável por fornecer terapias antiretrovirais e assistência a 20,6 milhões de pessoas que vivem com HIV/Aids em 55 países, mormente os da África subsaariana.

O aviso de que o financiamento de quase toda a assistência estrangeira está congelada por três meses consta em telegrama do Departamento de Estado dos Estados Unidos, chefiado por Marco Rubio, enviado a embaixadas na última sexta (24).

A suspensão afeta também programas da Usaid (Dependência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). As únicas isenções previstas foram para assistência fomentar de emergência e financiamento militar para Israel e Egito.

Para a médica infectologista brasileira Beatriz Grinsztejn, que preside a IAS (Sociedade Internacional de Aids), os resultados dessa interrupção de recursos do Pepfar podem ser catastróficos para o controle da epidemia mundial de Aids.

“O Pepfar provê tratamento que é salvador de vidas. Dessas mais de 20 milhões de pessoas que dependem dele, quase 600 milénio são crianças”, diz.

Segundo ela, a suspensão do financiamento inclui contratos que estão vigentes, o que pode interromper a provisão de tratamento imediatamente. “Isso é de um impacto que eu não tenho nem palavras para definir, um transtorno paradoxal. Estão todos desesperados.”

Para Grinsztejn, o temor é que, sem o financiamento, a epidemia de HIV volte a ter um repique. “A gente vem tendo um sucesso bastante robusto no controle da epidemia. Lógico que ela está longe de ser controlada, mas a gente teve, em 2024, o menor número de novas infecções até hoje.”

De conformidade com a médica, a estimativa é que em torno de 26 milhões de vidas já foram salvas posteriormente a geração do Pepfar. “Ele tem um impacto muito significativo também na prevenção de novas infecções. Impediu, por exemplo, que 7,8 milhões de bebês nascessem com HIV.”

O programa mantém ainda serviços de testagem do vírus da Aids, que já atenderam quase 100 milhões de pessoas, além de dar assistência a mais de 17 milénio órfãos e crianças vulneráveis afetadas pelo HIV.

“Há um impacto terrível na profilaxia pré-exposição [PREP] que vem significativamente se expandindo nos últimos anos. O Pepfar tem uma função única em disseminar esses serviços, em trazer essas novas tecnologias disponíveis. Na hora que você não financia o Pepfar, essa grande viradela que a gente poderia ter na epidemia fica em suspenso.”

Ainda que o governo Trump trate a suspensão uma vez que temporária, Grinsztejn lembra que a a epidemia em curso não dá trégua. “Não dá pra ter pausa nem de respiração, porque [a Aids] mata. A gente está falando de vidas e de países que não têm reservas e muito menos projecto B.”

Segundo ela, além dos tratamentos, todos os profissionais de saúde envolvidos nesses cuidados dependem desses recursos. De conformidade com os dados do Pepfar, há mais de 190 milénio provedores de cuidados clínicos e auxiliares trabalhando em tempo integral, todos os dias, incluindo 1.422 médicos, 13.577 enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e mais de 108 milénio agentes comunitários de saúde. Em média, esses agentes de saúde ganham pouco mais de US$ 3.000 por ano.

A esperança, diz Grinsztejn, é que a mobilização internacional consiga proteger o programa. “Ele foi instituído pelo governo republicano, tem pretérito todo esse tempo por diversas trocas de governo, mas nunca houve uma ameaço tão devastadora uma vez que essa.”

Para ela, além do impacto imenso para a saúde global, a suspensão do financiamento também traz prejuízos para os Estados Unidos. “Há uma perda na posição de liderança na saúde global que eles sempre tiveram.”

No sábado, Trump disse a repórteres que gostaria que outros países gastassem mais em ajuda externa. “Somos uma vez que uma rua de mão única, portanto queremos que outras pessoas nos ajudem e queremos que outras pessoas se juntem a nós. Estamos gastando bilhões e bilhões e bilhões de dólares e outros países ricos estão gastando zero”, afirmou. “Por que deveríamos ser os únicos?”

Em uma epístola pública endereçada a Rubio na sexta-feira, os deputados Gregory W. Meeks e Lois Frankel escreveram: “Os programas de assistência externa dos Estados Unidos promovem a segurança em outros países para ajudar a impedir que as crises se espalhem diretamente até a nossa porta.”

“A assistência estrangeira não é uma esmola; é um investimento estratégico em nosso porvir que é vital para a liderança global dos EUA e um mundo mais resiliente”, acrescentaram.

“Ele atende diretamente aos nossos interesses nacionais e demonstra nossa credibilidade a aliados, parceiros e pessoas vulneráveis que dependem da assistência americana para sobreviver.”

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