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Casa do Porco ou cracolândia: quem ganha a batalha pelo centro de SP? – 05/12/2023 – Cozinha Bruta

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Minha mãe chamava o meio de São Paulo de “a cidade”. A metrópole já era um monstro de grande na dez de 1970, mas persistia na fala dos paulistanos a noção de uma cidade separada dos bairros por áreas baldias.

Eu pegava o “elétrico” (trólebus) para ir à cidade com a mãe pelo menos duas vezes na semana. Ela era fanática por garimpar descontos e liquidações, e o meio concentrava tais barganhas.

Comíamos o sanduíche de linguiça da Vivenda Califórnia, na rua São Bento. Quando era para almoçar de verdade, a velha me levava ao Churrasqueto, que até hoje está na 24 de Maio.

O meio experimentava uma decadência que só viria a açodar. Era imundo e caótico. Os adultos se queixavam dos “trombadinhas”, porquê eram chamados os menores batedores de carteira.

Na dez seguinte, passava minhas tardes no meio detrás de discos, partituras e coisas para guitarra. Nos anos 90, comecei a trabalhar no Notícias Populares, no prédio da Folha, na parque Barão de Limeira.

Acompanhei a coisa toda porque sou velhusco. O declínio da região medial seguia o curso esperado, a degeneração gradual e um tanto cruel da antiga cidade dos barões do moca. Até que um pouco novo aconteceu.

A cracolândia surgiu e cresceu na velocidade de um tumor ofensivo, degringolando de vez o que restara do meio. Pulamos alguns anos para chegar ao estágio atual.

Os ataques de domingo (3/12) e segunda-feira (4), respectivamente ao Bar Brahma e ao McDonald’s da avenida Ipiranga, podem ser as primeiras investidas de uma guerra apocalíptica que vai definir o sorte do meio de São Paulo por muitas décadas adiante.

Não interessa se os autores são uma gangue de roubo de celulares, os cracudos habituais ou entregadores revoltados. Seja quem for, há o risco iminente de chegarmos –se é que ainda não chegamos– a um ponto em que não há retrocesso provável para o desleixo do meio paulistano.

Sem paixão alguma pelos alvos dos ataques (o Brahma é a carcaça zumbi de um bar que deveria ter fechado há 30 anos), é impossível não ver a fardo simbólica dos atos. A avenida Ipiranga, a esquina com a São João, o lugar que Caetano Veloso tornou instagramável antes de possuir Instagram.

Será que os turistas continuarão a tombar no golpe? Ruim com eles, pior sem eles.

Desde que o meio entrou em queda livre, há tentativas de reação de inegável sucesso. Morar no Copan virou cool, e algumas áreas foram retomadas: Santa Cecília, segmento da República e segmento da Vila Buarque. Luz, Sé e Santa Ifigênia, por sua vez, têm status de casos perdidos.

No que diz reverência a restaurantes e bares, há uma geração pós-cracolândia que segura uma barra e tanto no meio: Cuia, Divina Increnca, Bia Hoi, Escarcéu, Z-Deli, Cora, Regô.

Dentro desse grupo, lidera a resistência o enclave dos chefs Janaína Torres Rueda e Jefferson Rueda, em privativo a Vivenda do Porco –se você acredita em premiações, é o melhor e mais importante restaurante de São Paulo.

Não dá para incumbir que a Vivenda do Porco, sozinha, vá sustar a ruína do meio e a metástase para os vibrantes Bom Retiro, Barra Fundíbulo e Liberdade,

O poder público, que deixou suceder o que está acontecendo, permanece imobilizado. As eleições municipais –nelas você pode votar pela mudança dessa política de desleixo– ocorrem daqui a menos de um ano,

Será que a cidade aguenta todo esse tempo?


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