Início Turismo Churrascaria brasileira deixou de ser referência mundial – 29/11/2023 – Cozinha Bruta

Churrascaria brasileira deixou de ser referência mundial – 29/11/2023 – Cozinha Bruta

118
0

[ad_1]

O terceiro melhor restaurante da América Latina, segundo o ranking 50 Best divulgado na terça-feira (28), é uma churrascaria.

O Don Julio, no bairro de Palermo Viejo, em Buenos Aires, destoa da pegada universal da lista. É uma moradia tradicional com cardápio idem. Não inventa voga, não serve a comida em porcelana com design assinado, não se arroga nenhuma espécie proposta gastronômica.

É uma parrilla –em que pesem discutíveis diferenças conceituais entre parrilla e churrasco, tratarei os termos porquê sinônimos.

Fui uma vez ao Don Julio, muito tempo detrás. Era um lugar de carnes mais deteriorado do que a média portenha e, confesso, não trago lembranças muito nítidas da experiência (¡el vino!). Não me impressionou –se houvesse, eu certamente me lembraria.

Enfim, temos uma churrascaria argentina na terceira posição e, lá no 33º lugar, o peruano Osso –restaurante de mesocarpo com filial em São Paulo.

Nenhum premiado do Brasil é especializado em churrasco. Não acho que deveria ou precisaria ser, mas isso ilustra um fenômeno dos anos recentes: o declínio da cultura brasileira de churrascarias.

A referência mundial em mesocarpo é argentina –na lista global, o Don Julio ocupa a 19ª posição. Até aí tudo muito, sempre foi uma rivalidade ferrada, mas… Peru? O Peru nunca foi exportador de mesocarpo bovina. Pelo contrário, importa de nós.

Isso ocorre num momento em que a mesocarpo brasileira atinge o pico histórico de qualidade. Só que o mundo não quer saber do nosso churrasco. Honestamente, nem o Brasil prestigia o próprio churrasco.

É só olhar a série histórica de listas de melhores restaurantes de São Paulo. Até alguns anos detrás, elas davam destaque a casas porquê o Rubaiyat e o Varanda. Esses continuam em pé, envelhecidos mas ainda em forma, e não surgiu uma novidade geração de steakhouses para substituí-los.

O que apareceu no lugar foram eventos de comilança pantagruélica porquê a Churrascada, que mais tarde abriria um ponto fixo no Morumbi.

O Brasil vive as consequências de suas decisões passadas. Cá apostou-se quase tudo no sistema de rodízio, que foi rapidamente da euforia à exaustão.

Hoje o espeto corrido não é um fiapo do que era nos anos 1990. Nas capitais brasileiras, perdeu a opulência dos bufês de granito e vivem em promoção; no exterior, são uma curiosidade étnica a mais.

Quanto à mesocarpo preparada na brasa e servida à la carte, no Brasil ela foi terceirizada para as parrillas argentinas e restaurantes de especialidades variadas. O grelhado não morreu, a churrascaria é que está mal das pernas.

Enquanto isso, a Argentina segue firme possante com restaurantes em que as pessoas vão para jantar mesocarpo com uma saladinha ou fritas.

O Brasil escolheu o caminho da saturação, dos rodízios e das churrascadas. Não há problema qualquer nisso –a menos que tratemos de premiações e rankings internacionais.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul inferior.

[ad_2]

Artigo anteriorAcesso a crédito e alteração nos tetos do Simples Nacional no centro da discussão do Fórum da Microempresa | ASN Nacional
Próximo artigoCruzei da Tailândia para Laos de canoa – 29/11/2023 – Robson Jesus